Os suplementos alimentares como o Calcitrin são mesmo efectivos? Conheça a verdade…

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O suplemento alimentar mais vendido em Portugal tem um lado menos claro que muita gente desconhece. As farmacêuticos alertam contra o Calcitrin, dizem que está em causa a saúde dos consumidores.

A Ordem dos Farmacêuticos diz que se trata de publicidade enganosa, que ameaça a saúde e o bem-estar das pessoas. Argumenta que o consumo destes produtos de forma indiscriminada pode levar a lesões graves de difícil reparação.

“É uma situação que configura uma publicidade enganosa, abusiva, que cria falsas expectativas nos consumidores. Não está demonstrado que o suplemento de cálcio possa diminuir as fracturas ósseas”, afirma o bastonário Maurício Barbosa, em declarações à Renascença.

“Pelo contrário, está demonstrado que as pessoas ficam expostas a riscos elevados de acidentes cardiovasculares, de problemas renais, até de problemas gastrointestinais e obstipação”, acrescenta.

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A Ordem mostra-se também preocupada com o incentivo que é feito à aquisição deste suplemento que, ao contrário dos medicamentos, não são regulados pelo Infarmed, nem estão sujeitos ao mesmo controlo de qualidade, segurança e eficácia.  “Este caso ultrapassou tudo o que é minimamente aceitável. Foi-se longe demais quando se apela à compra de embalagens para se oferecer aos amigos. ‘Dê mais vida àqueles que ama’. Isto é verdadeiramente inaceitável”, critica Maurício Barbosa, reconhecendo a crescente agressividade na promoção de suplementos, com recurso a figuras queridas do grande público.

Além dos problemas de saúde pública referidos, a Ordem dos Farmacêuticos afirma que este caso viola “o regime jurídico da publicidade em saúde”.

A revista Sabado fez uma reportagem sobre este suplemento junto da doutora Maria do Céu Costa, perita da agencia europeia de segurança alimentar (AESA) e professora de Bromatologia em ciências farmacêuticas e ciências da nutrição.

A doutora Maria do Céu Costa afirmou que “em Portugal não temos um sistema que avalie os pedidos de notificação dos suplementos alimentares, como existe noutros países.” Nesse sentido são os próprios operadores que reportam toda a composição dos suplementos e as alegações de saúde que consideram importantes, mas o processo não implica provas, nem uma obrigatoriedade de uma opinião da autoridade sobre o producto, tendo apenas que seguir umas pautas de doses máximas e umas norma não muito apertadas, nem controladas. Na realidade a qualidade destes produtos só precisa ser demonstrada aos consumidores por cada operador, que no caso do Calcitrin consiste na utilização de pessoas famosas que induzem credibilidade sugestiva, além de uma agressiva e persistente campanha de markting em diversos canais de TV, revistas, internet, etc. Com o tipo de publicidade persistente usada, conjugada com a utilização de personagens famosas que invocam alguma confiança nas pessoas, acabam por provocar nas pessoas um determinado teor de confiança num producto que não está comprovado ser eficaz.

A empresa que comercializa este suplemento afirma que ajuda a prevenir a osteoporose e fortalecer os ossos, mas na sua publicidade não mencionam que este suplemento apenas garante 1/3 das necessidades diarias de cálcio, ou seja, apenas uma terceira parte, um valor aproximado a 272,8mg de cálcio que na prática corresponde a duas fatia de queijo light.

O cálcio é necessário todos os dias para suprir as falhas de alimentos do grupo 1 da roda dos alimentos, sendo importante a sua ingestão para manutenção dos ossos normais, porém essa ingestão pode ser praticada sem recurso a nenhum tipo de suplementos se for implementada uma alimentação diversificada, que contenha uma dose diária de alguns alimentos do grupo 1 da roda dos alimentos.

Convém lembrar que com um pouco de exercício diário e pequeno esforço para ter uma alimentação equilibrada, poucas são as pessoas que realmente precisam de suplementos, sendo na esmagadora maioria dos casos um gasto a evitar.

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